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Home Artigos A importância da transmissão genuína de uma Arte Marcial, do contato com seu Shifu a transmissão às novas Gerações.

A importância da transmissão genuína de uma Arte Marcial, do contato com seu Shifu a transmissão às novas Gerações.

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Este artigo tem por objetivo mergulhar um pouco mais na cultura oriental, mais propriamente na cultura Chinesa, relacionada com o Kung Fu.

Muito embora hoje estejamos vivendo um tempo onde existem muitos “Shifus”, ainda assim a falta de conhecimento deste universo se apresenta fortemente na transmissão de um legado.

Muitos praticantes do sistema Wing Chun questionam a diferença entre as aplicações e a transmissão do estilo, muitas vezes esta diferença se encontra dentro de uma própria família marcial, liderada por um mesmo Shifu.

Inicialmente eu gostaria de relembrar um conhecimento adquirido na infância, durante meus estudos no colégio, mais especificamente na matéria de Ciências, nossa professora definiu que: “Um átomo é a menor partícula indivisível da matéria” e tomamos aquilo com verdade e nas avaliações pertinentes aquele ensinamento nos valeu daquela resposta com êxito.

Mais a frente, quando iniciamos uma nova fase e mais profunda de estudos, aprendemos em Física que o átomo é divisível, portanto, naquele momento, a teoria ensinada em ciências ficou mais madura e caiu por terra. Questionado sobre esta informação, a professora rapidamente informou que era a melhor forma de ensinar naquele momento de formação da criança, pois era a capacidade que ela tinha de entendimento das coisas, por isso, com seu crescimento e evolução, a informação chegou novamente superando a anterior.

Sem muitas especulações sobre o assunto, em resumo, quer dizer que recebemos a informação da forma que estávamos preparados para receber, após este amadurecimento e crescimento inevitável, tal informação deveria ser substituída, pois o nível de entendimento seria melhor.

Tal como crianças, no estudo das artes marciais muitas vezes temos que começar com uma restrição de informações a fim de que com o amadurecimento, as técnicas ate então aprendidas sirvam de degrau para o verdadeiro desabrochar da arte.

O chinês entende isto perfeitamente, as relações entre Mestre e discípulo eternizadas no Kung Fu sempre demonstraram isso. Em todos os estilos, em todas as escolas vemos pessoas que tiveram acesso a conhecimentos mais profundos e outras mais de forma superficial.

As razões para os níveis de acesso ao conhecimento são inúmeras, mas principalmente a relação com seu Shifu, com sua família marcial, seu treino e dedicação lealdade, honra, zelo e demais virtudes, servem como passaporte para camadas mais profundas do conhecimento.

Uma vez inserido nesta camada mais profunda, muitas vezes encontramos situações como a descrita no inicio do Artigo, ou seja, a informação recebida sobre o átomo passa a sofrer uma mudança, trazendo a luz uma nova realidade.

Há quem condene esta conduta dos Mestres chineses principalmente no meio ocidental, onde a maioria das pessoas acha que podem pagar pela informação e com isto tem acesso de forma irrestrita sobre todos os temas.

Engana-se quem pensa que o acesso a determinados níveis dependa de dinheiro, a não ser em famílias marciais que são na verdade uma indústria de fazer dinheiro, vendendo títulos, graduações, etc..etc...

Em uma genuína família marcial chinesa, os valores cultuados nem de longe se assemelham com a compra de titulo ou graduação. Um Shifu convida seu discípulo a atravessar o “umbral” que o separa desta camada superficial para as camadas mais profundas com o transcorrer da relação, com a constante prova de merecimento, pois sempre este conhecimento levou se uma vida para ser adquirido e os investimentos para tal são incalculáveis, mesmo porque além dos investimentos em cursos, seminários, imersão de treinamentos existe o tempo investido, as renuncias e o peso das decisões ofertadas por aquele estudante, uma vida inteira eterniza este caminho.

Ademais, há de se salientar que existe uma distancia quilométrica entre um aluno e um discípulo, e que um aluno não entrara na senda do conhecimento mais profundo a não ser após tornar-se discípulo e mais, continuar fazendo por merecer através de seus méritos dentro dos princípios e virtudes marciais.

Um aluno passa a ser discípulo após a cerimonia tradicional conhecida como Paai Si.

Desta forma, por muitas vezes ouvi pessoas dentro do Wing Chun e ate mesmo dentro da linhagem a qual pertenço exclamando: “Eu deveria ter investido meu tempo e dinheiro em outra arte marcial, desta forma, com tudo que investi já teria muitos “dans” em minha faixa preta....”

Pois bem, palavras como a acima descritas sempre vem de pessoas que em nada entendem da cultura marcial chinesa e muitas vezes é objeto de inveja quando há pessoas que alcançam determinados níveis de profundidade com seu Shifu.

Uma boa relação com seu Shifu, pautada no conhecimento e uso das atribuições e princípios que regem esta relação abre as portas com todo um universo jamais imaginado, mas que só pode ser sentido por aqueles que cruzaram este umbral.

Desta forma, em tempos em que a informação esta aberta, a escolha de um Shifu para te guiar na arte marcial escolhida deve ser pautada também, dentre outros valores, o nível de relacionamento que ele atingiu, com isso, teremos a chance de também nos aprofundarmos neste conhecimento, pois deve se sempre levar em consideração esta máxima :” Ninguém pode dar o que não tem”.

Assim, ainda que haja muitas especulações sobre a origem da diversidade de abordagem sobre o sistema Wing Chun vindo de Ip Man, hoje dentre outros fatores, posso afirmar categoricamente que em parte, o conhecimento superficial vem da precária relação interpessoal Mestre/ Discípulo dos estudantes de Ip Man .

As experiências por si só podem ser relatadas, mas não vivenciadas por terceiros através de narração, somente com sentimento o estudante poderá um dia saber sobre o que estou me referindo com conhecimento de causa, do contrario, seria o mesmo que explicar ao um cego de nascença como é um elefante.

A importância de ter um Shifu que tem profundidade em seu conhecimento é a garantia de que seus estudos serão conduzidos de forma meticulosa e que em meio esta relação você terá oportunidade de ter acesso as informações de foram ampla e irrestrita.

Durante os vários treinamentos que realizei com meu Sigung Duncan Leung, até ser aceito para seguir treinando com ele, ficou muito claro tudo que estou expondo neste artigo, vivenciando com meus Sipaks e Sisuks, pude ver quem é quem de acordo com seu nível de profundidade, sendo esta a forma de transmissão de conhecimento usado pelo Shifu chinês.

Tudo isto não se aprende da noite para o dia, o leitor que não tiver experimentação nas relações mais estreitas com seu Shifu vai achar que tudo isto não passa de bobagem e que pode aprender Wing Chun com qualquer pessoa que tenha um titulo de Mestre, Professor ou algo do tipo, mas o tempo vai lhe conduzir a verdade, e este artigo vai te deixar com um ponto de interrogação em seu subconsciente até que seja liberto pela verdade vivenciada destas palavras frias encontradas aqui no texto.

Agradeço a Deus por ter colocado em meu caminho um Shifu de verdade, que pode me conduzir por todo este caminho, proporcionando meios de eu poder levar meus estudantes a um futuro discipulado nesta jornada, pois sem ele eu não sei como poderia ter adquirido tais conhecimentos e alcançado os níveis que atingi com pessoa e como praticante de Arte Marcial.

Em toda família marcial temos Mestres que detêm mais conhecimento e Mestres que detêm menos conhecimento, isto não é parâmetro para dizer quem é melhor que quem, mas uma experimentação de forma pessoal é a única maneira para que cada um tire suas conclusões e fazer suas escolhas.

“O melhor Mestre não é aquele que pode te causar ferimentos ou te vencer com muita facilidade em uma luta, mas sim aquele que pode te ensinar a ser melhor do que ele e esteja disposto a fazer isto” estas foram as palavras que meu Sikung me disse quando eu estava deixando a China após meu treinamento, com a incumbência de continuar a  transmissão do APPLIED WING CHUN na América do Sul.

Eterna Honra e Gratidão ao meu Shifu Li Hon Ki, são as palavras eternizadas em meu coração e gravadas para sempre na tatuagem que carrego comigo.

Nem tudo que parece é Applied Wing Chun.