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Home Artigos Filosofia Chinesa - A respeito do Amor

Filosofia Chinesa - A respeito do Amor

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Por Chou Chuan aprox.1600

Muitas vezes se tem dito que "os grandes heróis da história encontram seu rival nas mulheres". Com isso, quer­se dizer que o amor de uma mulher é coisa perigosa e que tais episódios, de certo modo, tiram de nossa idéia o ser "herói". Devemos afastar-nos das armadilhas e tentações das mulheres. E assim por diante.

Peço licença para discordar. Acho que o que faz os heróis serem heróis é terem amor em medida maior que os outros e serem capazes de maior devotamento a alguma coisa, entregando-lhe alma e coração. Só os que podem fazer grandes sacrifícios podem amar verdadeiramente. Todo o universo vem do amor.

Onde impera o coração, o homem guia sua vida por ele. Não se confina a qualquer coisa deter­minada, mas percorre todas as questões humanas, a come­çar pelo amor da mulher. Amor e devotamento podem ser muito bem aplicados a uma causa nacional, à amizade, ao negócio que se tem em mãos. Por isso, o Livro de canções (organizado por Confúcio) não desdenhou o amor entre ho­mem e mulher como pecado, e o Livro das Mutações falou do casamento como preenchendo "o coração do universo". Podemos fazer os grandes nomes da história desfilarem em nossa mente e verificaremos que nenhum deles deixou de ter um grande amor. Lembremos Shiang Yu. Que guerreiro e que homem! Quando se viu cercado pelo inimigo, com o fim iminente, ergueu-se em sua tenda, escreveu alguns versos e cantou-os com sua amada, e choraram juntos antes de com a espada se matarem. E seu adversário, também, que se tornou o primeiro imperador de Ran, possuía insuspeitada ternura. Sem dúvida, foi um grande guerreiro, que ralhava com seus generais como com crianças. Depois, tornou-se imperador, mas, antes de morrer, disse à sua rainha: "Dança para mim, querida, as danças populares de nossa terra natal, e cantarei para ti nossas canções populares". Assim morreu um imperador.

Digo, pois, que é preciso ser homem de grande coração para ter um grande caso de amor. Tenho notado que os que se afirmavam como bons intelectuais e escritores amavam certas coisas com exclusão de tudo o mais. E, quando surgia uma crise, tais pessoas agiam com decisão e firmeza e mos­travam fortaleza de caráter superior à dos outros. Quando o país os chamava, atendiam. Não há mistério em torno disso. Tinham um grande coração e, simplesmente, transferiam aquele grande amor de uma coisa para alguma outra. Digo, pois, que o amor não se confina a qualquer coisa determi­nada. Só os que fazem algum grande sacrifício podem amar verdadeiramente.

Comentário de Lin Yutang: Estou certo de que o coração pode abalar um trono. É a totalidade do amor que realiza gran­des coisas no universo. Lidamos aqui com uma força vital de que pouco sabem os frios filósofos encerrados entre suas paredes cinzentas. Lem­bremos Nelson e Napoleão. O maior imperador de toda a história da China, cujo reinado todos admitem haver sido o melhor, foi Tang Taitsung (que reinou de 627 a 649 de nossa era), o ver­dadeiro fundador da grande dinastia Tang. Gosto do episódio de seu amor por sua princezinha de doze anos de idade, que tinha o apelido de "Bi­são". Quando a menina morreu, ele ficou incon­solável e perdeu o apetite por um mês inteiro. Explicava aos servos que insistiam para que co­messe: "Amo tanto essa criança! Não posso re­signar-me. Não sei por quê". Não são nossas fraquezas que fazem nossa força?